AS EMOÇÕES NA BARRIGA

Dr. Roberto C. Fosco

 

Desde os tempos mais remotos, observadores leigos, mas esclarecidos, vêm assinalando os efeitos ou as repercussões que os intensos estados emotivos, principalmente de matiz desagradável, tem sobre o aparelho gastrintestinal.

É de observação corrente que acontecimentos importantes, tais como exames escolares de fim de ano, operações cirúrgicas delicadas e de risco, uma ocorrência aterrorizante e inesperada, um telefonema em horas avançadas da noite trazendo notícia infausta ocasionam, freqüentemente, sintomas desagradáveis ao longo do aparelho digestivo.

De acordo com abalizados e modernos especialistas em medicina psicossomática, podemos dizer que, normalmente, nos emotivos, o estômago e intestinos, podem ser comparados com a mímica facial, com as lagrimas, com nossos gestos e atitudes, em seu poder expressional e tradutor de nosso estado de espírito e de nossas tensões emocionais.

ISSO É DE AMARGAR

 Aliás, a aguda, embora inconsciente sabedoria popular, já consagrou a fusão das funções digestivas com a personalidade, por meio de gírias, de um simbolismo extremamente significativo.

Assim, é que freqüentemente ouve-se em conversações, frases como estas: “brincadeiras de mau gosto”; “sede de vingança”; “não trarei o fulano, sua presença me dá náuseas”; “sujeito indigesto”; “esta ofensa está atravessada na minha garganta”; “isso é de amargar”; e assim por diante.

Desta forma, toda vez que uma pessoa sentir que seu estômago e intestinos não estão funcionando bem, uma vez que já tenham sido eliminadas todas as causas orgânicas suscetíveis de serem responsabilizadas por tal estado de coisas ou, se os exames clínicos e complementares forem negativos, é lícito pensar que uma causa psíquica está determinando essa disfunção visceral.

Essas causas psíquicas, essas motivações psicológicas, responsáveis pelo mau funcionamento do estômago, dos intestinos e também do fígado que, como se sabe, toma parte importante na digestão, podem ser de diferentes espécies. Tais como, por exemplo, os sentimentos de culpa; de tristeza; rancor; ódio; agressividade, que precisam ser reprimidos ou dissimulados. Os conflitos de consciência sem saída decente à vista; situações morais sumamente desagradáveis, prolongadas e de difícil solução; frustrações financeiras, amorosas ou de qualquer outra natureza, enfim, tudo que seja suscetível de provocar um grande acúmulo de tensão emotiva gera um estado de intensa ansiedade em níveis insuportáveis.

MAL NECESSÁRIO

 Acontece que, por vezes, esses intensos estados não encontrando, no momento, outro meio de escoamento ou vazamento, precisam ser drenados, expressados, sob a forma de desarranjo, de disfunções ao longo do aparelho digestivo.

Quando isso acontecer e ficar provado, que esses distúrbios são de origem psíquicas, o indivíduo não deve se alarmar com eles e sim recebê-los como uma espécie de mal necessário para o momento. Isso porque, os distúrbios gastrintestinais de origem psicológicas, poderiam ser comparados com um fio-terra que evita “curto-circuito” intra-psiquícos ou, com uma válvula de escape para as grandes tensões emocionais que não puderam ser drenadas de outra maneira.

É de se notar que se esses grandes acúmulos ansiosos e emotivos, não podendo ser drenados ou expressados, nem pelas lágrimas, nem pelos gestos e atitudes, nem pelo expressionismo visceral, a nossa mente, ou nosso psiquismo, correrá sério risco de se transtornar de vez. Assim, por exemplo, Napoleão Bonaparte foi acometido de acessos de vômitos quando viu perdida a Batalha de Waterloo.

 

SUPERANDO O PROBLEMA

Da mesma forma, se ficar provado por exames clínicos e radiológicos e outras provas, que os sofrimentos de um determinado paciente, logo após as refeições, não são devidos a câncer incipiente, mas sim, ocasionados, por cardio-espasmo funcional, sem maior gravidade que, por sua vez, seja um representante simbólico daquelas motivações psicológica, está claro que ele deve entrar na posse de pensamento lógico e rechaçar o pensamento mágico e terrorista que o atormenta, pensando em mal maior. Está claro que isso acontecendo, seus sofrimentos se mitigarão imediata e consideravelmente.

Para finalizar estas considerações, sobre os distúrbios digestivos de origem psíquica, apenas queremos acrescentar que seus portadores precisam ter sempre presente que, à medida que forem sendo resolvidos ou superados suas tensões emocionais e ansiedades, sejam por meio de tratamento psicológico, ou seja, pela evolução natural dos acontecimentos, também irão desaparecendo os sintomas digestivos delas decorrentes.

ANATOMIA DO DESEJO

Dr. Roberto C. Fosco

 

A publicidade se constitui num dos maiores negócios do planeta. É também uma das maiores e mais continuas influências psicológicas em nossa vida. Esta literalmente por toda a parte. Onde quer que, de dia ou de noite, nossos olhos estejam abertos, veremos ou ouviremos algum convite para comprar alguma coisa.

É como se estivéssemos cercados por um exército de vendedores, cada qual lutando para conquistar nossa atenção, cada qual com algo a mostrar-nos, algo para comprarmos, algo que nos faça sentir que precisamos comprar, se não quisermos viver mal equipados; cada qual tentando obter o dinheiro que temos para gastar antes dos outros.

Não nos ressentimos do oportunismo destes “vendedores”. Apraz-nos desejar aquilo que nos faz despertar o desejo: os anúncios  numa revista doméstica ou um suplemento dominical obtém de boa mente uma grande parcela da nossa atenção e, poucas coisas nos encantam mais que um catálogo de comidas, ou o gordo prospecto de uma firma de entregas por correspondência … para nada dizer sobre vitrinas das lojas de roupas, louças e cristais, livrarias, de antiguidades e outras.

O engenho dos homens na produção de coisas intermináveis, para uso, conforto e conveniência, tem sido útil e, muitos dos nossos desejos, sob o estimulo dos anúncios, tem sido igualmente úteis. Grande parte disso se prende utilmente à possibilidade de escolher e fazer planos. Em suma, é básico para uma economia de alta produtividade o processo de fazer com que pessoas conheçam o que se produz.

 

QUESTÕES PSICOLÓGICAS 

Surgem aqui algumas questões psicológicas: questões que, dizem respeito a nossa maturidade individual.

No que se refere aos anunciantes e, os produtores que deles se servem,  o homem médio desempenha apenas um único papel significativo: o de consumidor. Para expor suscintamente a matéria, a publicidade detém nosso crescimento psicológico, na escala em que nos faz desejar demasiado e faz-nos desejar as coisas por motivos errôneos.

Faz-nos desejar demasiado. Não se passa uma hora em nossa vida, sem que nos digam, por um meio ou por um outro, que devemos gastar dinheiro para comprar isto ou aquilo. O efeito cumulativo disto é o quádruplo: conservamo-nos sempre na orla do descontentamento, de forma que aquilo que temos nunca nos parece suficiente; somos progressivamente instruídos a desejar as coisas feitas e, a pensar naquilo que podemos fazer por nós mesmos como sucedâneos pobres, de modo que os prazeres da propriedade se sobrepõem aos prazeres da criação; somos estimulados a desfazer-nos das coisas, não só antes que estas tenham sido plenamente utilizadas, como antes que se tenham transformados, nos companheiros íntimos e amados de nossa vida cotidiana e, somos induzidos a acreditar que a maior parte de nossos problemas mentais, emocionais e sociais, decorrem de nossa falta de bens materiais adequados.

Faz-nos desejar as coisas por motivos errôneos. As emoções mais facilmente alcançáveis pelos anunciantes e, as mais capazes de produzir “resultados” , são as que se relacionam com os nossos receios, particularmente, com nossos receios sociais; nossa fome de atenção e de prestigio e, nosso prazer originário da frustração, de ultrapassar alguém.

 

RECEIOS DE ADOLESCÊNCIA

Estas não são as nossas emoções mais maduras,  nem as mais susceptíveis de conduzir à maturidade. Assim, por exemplo, os receios que os anunciantes capitalizam com mais facilidade, mesmo quando dirigem seus apelos a homens e mulheres em idade adulta são receios de adolescência: receios que dizem respeito a ser “ diferente”, a deixar de atender a padrões rígidos de conformidade com o grupo, de ficar ao abandono, de não causar boa impressão,  de sofrer criticas de outrem.

Da mesma forma, os apelos de prestígios se baseiam largamente no nível de adolescência; o individuo é convidado a ver a si próprio, não como maturamente igual aos outros, mas, como foco de atenção e de inveja.

A publicidade, em suma, como outros negócios que temos introjetado, encontrou sua formula: fazer com que uma pessoa deseje algo para si própria e, com intensidade bastante e, estará feita a venda do produto.

A arte de vender,  e portanto, a arte de anunciar,  é a de despertar desejos próprios: fazer com que as pessoas sintam que a sua própria vida é incompleta, e que aquilo que lhe falta traz uma etiqueta de preço. O perfeito consumidor é o individuo tão sugestionável que pode ser mantido quase continuamente empenhado em satisfazer seu próprio ego.

 

AUTO-INDULGÊNCIA

Se maturação adequada do eu consiste, como vimos, no seu desenvolvimento de receios imaturos e das egocentricidades, para um âmbito maior de relações e interesses humanos, então as absorções do Eu, estimuladas pelos intermináveis convites a comprar, detém realmente nosso amadurecimento. A publicidade tem o seu próprio interesse concentrado, na auto-indulgência humana.

Falamos da nossa era como de índole materialista e, assim lançamos sobre os bens um ônus que não merecem. Não seria menos ambíguo falar numa era auto-indulgente. As mais poderosas forças à nossa vida nos solicitam, nos imploram, clamam pela nossa auto-indulgência. Ouvimos as palavras insinuantes pelo rádio: “Você deve isto a si mesmo”; “Não deixe para amanha ….”; “Seja o primeiro na sua cidade a ter propriedade…”; “Suas amigas a invejarão…” Lemos as palavras de persuasão em títulos gritantes nos jornais, nas ilustrações das revistas, que nos convidam a projetar-nos num mundo de sonho e beleza e conveniência, ou em letreiros de gás néon contra o céu: algo para beber; algo para fumar; algo para comer que os campeões comem, algo que a fazem bela; algo que o torna um homem de distinção: algo que lhe traz o êxito; algo que a transforma no centro da festa; algo que reduz um trabalho qualquer ao simples apertar de um botão; algo que lhe tirará preocupações e, lhe permitira estirar-se numa rede pelo resto da vida.

A SINA DOS NERVOSOS

Dr. Roberto C. Fosco

  

Os indivíduos, geralmente chamados “nervosos”, formam verdadeiras legiões, nos dias atuais.

Uns porque esse “nervosismo” é pouco acentuado, conseguem denominar-se, embora isso lhes custe esforço penoso e contínuo. Outros, no entanto, depois de tremenda e por vezes silenciosa luta interior, manifestam o desajustamento do sistema nervoso, por sintomas mais ou menos ruidosos e extremamente variáveis de um paciente para outro. Estes últimos, não podendo mais deixar de dar vazão às suas queixas, o que fazem seguidamente, acabam percebendo que sua presença torna-se menos agradável aos familiares e amigos. O nervoso vê-se então, em dura e amarga alternativa: ou a custa de sacrifícios não se queixa de seus padecimentos, sentindo-se então ainda mais ansioso e angustiado, ou externa suas fobias, obsessões e preocupações de toda ordem. Nesta última hipótese fica mais aliviado, alívio esse contrabalançado pelo desprazer de perceber sua companhia pouco desejada e mesmo incomoda.

 

“O PSICOTERAPEUTA”

Com freqüência, entre as pessoas relacionadas com o nervoso, ou melhor, neurótico, seja parente ou amigo há alguém mais abnegado e compreensivo, com pendores para fazer “psicoterapia”, que lhe dará mais atenção e conselhos. Esses também com o passar dos dias, acabam cansando com os inúteis que fazem para restituir a saúde psíquica a tal paciente.

Isso acontece pelas decepções que o neurótico ocasiona a esse “psicoterapeuta” leigo, que repete e amplia inúmeras vezes e inutilmente argumentações, no sentido de provar lhes os inúmeros sintomas de que se queixa. São imagináveis, não tem base numa lesão orgânica irreparável do corpo ou do cérebro.

Por vezes o paciente dá sinais de que tais argumentações estão produzindo bom efeito, chegando mesmo a confessar a esse parente ou amigo dedicado que, afinal, convenceu-se de que tudo o que sente não passa de “cismas”, de receios infundados e pueris.

Mas, no entanto, quando o “psicoterapeuta” improvisado chega a julgar-se vitorioso e recompensado de seus esforços, lá surgem, novamente, com mais vigor do que nunca, as fobias e obsessões, entrelaçadas quase sempre com sintomas físicos, tais como: palpitações, distúrbios digestivos, opressão cardíaca, garganta fechada, sudorese abundante, fadigamento e assim por diante.

Quando o assistente leigo, apesar de sua abnegação bate em retirada, literalmente derrotado, surge nova etapa para o paciente, ainda mais ingrata, eis que passa a observar já horrorizado, os amigos e parentes a se coligarem no sentido de provar-lhe com palavras mais enérgicas, rudes às vezes, que a única coisa de que precisa para ficar completamente curado, é reagir contra os sintomas que o martirizam.

 

SÃO NERVOS

Essa técnica de exigir que o neurótico reaja sem estar preparado para isso é contraproducente por duas razões fundamentais: primeiro, porque vai gastar nessa tentativa inglória, sem a menor possibilidade de êxito, as últimas reservas de energia que poderiam ser melhor aproveitadas; segundo, porque o paciente, nessa contingência, não põe em dúvida que tais conselhos, partindo de pessoas que o estimam, devem estar certos; por esse motivo julga, ao fracassar nessas cruéis tentativas de reação, que isso acontece por ser ele frouxo, carente de decisão e energia, enfim porque é diferente e inferior em comparação com que o cercam.

Uma vez verificado que o paciente não reage como seus amigos e familiares queriam e previam, estes últimos, continuam a achar que os sintomas de que se queixa, não tem fundamento nem base real. Mudam então a técnica; se não reage é mais uma prova de que tudo “são nervos”, exclusivamente “nervos”.

Se, acontece de o neurótico ter sido em criança um pouco tímido, emotivo, as coisas pioram, pois a guisa de consolo e para prova de que os males dos quais se queixa não tem importância nem interferem na saúde geral, lá vem mais apreciações de efeitos deprimentes: “Isso não é nada; não tem a menor importância; você sempre foi nervoso”.

Como a palavra “nervoso” tem, na acepção popular, sentido sob certos aspectos pejorativos, depreciativos, sendo empregado por vezes para indicar falta de energia e coragem para enfrentar a vida e as situações difíceis, o indivíduo, ao cabo de certo tempo, fica convicto que, de fato, é um fracassado, um inútil, sem possibilidade de recuperação.

O paciente da conta de tudo isso e não consegue por termo a esse estado de coisas, ainda que se esforce ao máximo em tal sentido.

Desde que chega a ponto de sentir a própria personalidade combalida em seus alicerces e invadida por sensação de absoluta insegurança, o neurótico começa a achar seus sintomas estranhos, incompreensíveis, por vezes, algo misterioso e fora do alcance dos recursos de tratamento clinico do problema.

O sintoma neurótico tem um sentido, são apenas efeitos de uma causa mais profunda, que essa sim, precisa ser descoberta e removida através de um competente tratamento psicológico.

Portanto, você que esta sofrendo do problema, não tente combater os sintomas, de nada adiantará, procure ajuda.

A DOENÇA DEPRESSIVA

Dr. Roberto C. Fosco

 

No Brasil não há dados estatísticos relativos à freqüência da doença depressiva em sua população. Os pesquisadores calculam, no entanto que se os valores em nosso País forem semelhantes aos observados nos Estados Unidos, a população adulta afetada deverá ser em torno de 6 milhões de pessoas. Estimam ainda que 8% das pessoas adultas sofreram de tal “depressão” em algum período da vida. Embora os norte-americanos tenham a mania de “estimar o mundo”, o autor está convicto de que esta estatística ou prevalescência é equivocada. Vocês entenderão tal posição ao final deste artigo.

A depressão é uma doença que compromete o indivíduo como um todo, ou seja, rebaixa ou deprime as condições psíquicas, sociais e corporais dos afetados, alterando a maneira de pensar da pessoa em relação a si própria e sobre as coisas.

 As pessoas com depressão não conseguem melhorar ou recompor-se por conta própria, portanto necessitam de ajuda profissional. Sem essa ajuda a doença pode durar meses ou anos. Interferindo no desempenho do individuo causam muito sofrimento, não somente aos doentes, mas também àqueles que com eles convivem.

 

NÃO É SIMPLES TAREFA

Para que uma alteração psíquica ou orgânica seja considerada como doença é necessário que existam fatores que ocorram dentro do indivíduo (endógenos) e fora dele (exógenos) que a expliquem, e neste sentido, a depressão propriamente dita não é uma enfermidade tão comum como querem admitir e, diagnosticar a doença depressiva não é tarefa tão simples aos profissionais que delas se ocupam, pois, as manifestações de uma depressão estão presentes em muitas outras enfermidades, tanto mentais quanto orgânicas, e daí, ela tem uma variedade de tipos e causas que se não bem diagnosticadas pelos profissionais, o tratamento do paciente resultará ineficiente ou ineficaz.

As origens da doença é de questionável precisão, podendo ser resultante de herança biológica, disfunção neuroquímica, predisposição psicológica, ambiente, efeitos colaterais de medicamentos, disfunção hormonal, traumas no cérebro, luto resultante de perdas e danos, entre outras causas. Tem sido ela associada nos dias atuais como a grande motivadora dos suicídios.

Os temas relativos à depressão tem sido significativamente divulgados nos meios jornalísticos, televisivos e pauta de muitos congressos científicos, tornando-se em decorrência disto, uma “mania popular” onde muitos se acham deprimidos e até mesmo no meio médico, a “depressão” tem sido constantemente caracterizada, pois o número de pessoas que temos encontrado medicadas com antidepressivos e ansiolíticos é alarmante e preocupante.

Neste sentido o autor tem encontrado na pratica clinica, diagnósticos estabelecidos com insuficiência de conhecimentos para indicar a presença de uma real doença depressiva e, em decorrência desta, há indicações terapêuticas insuficientes para o tratamento do doente, menosprezando práticas terapêuticas importantes para a reabilitação ou ajuda dos pacientes realmente acometidos de depressão.

RESPEITANDO A CAUSA 

Estão medicando com antidepressivos e outras drogas afins, a “fossa”, “baixo astral”, tristeza, baixa auto-estima, narcisismo, lutos mal elaborados, distúrbios de personalidade, psicopatas “depressivos” reações de ajustamentos, problemas de sociabilidade, desentendimentos conjugais, enfim, tratam reações psicológicas e emocionais com comprimidos.

 As reações “depressivas” diante das pressões ou problemas que o individuo vem vivendo não é doença depressiva. Suas causas são psicológicas e emocionais, portanto, não é possível cura-las com remédios, mas, resolvem sim, pela melhoria do autoconhecimento, pela reaquisição da auto-estima, pela mudança de postura perante a vida, pela retomada de sua competência pessoal, pelo fortalecimento de sua coragem. Melhoram pela assimilação de um bom conselho e orientação e, fundamentalmente, pelo respeito com que sua causa é tratada.

Um comprimido não “pergunta” o que você tem e nem ajuda você a solucionar os seus problemas diante de suas tristezas, angústias pela vida, perda do amor próprio, decepções, nas decisões erradas, enfim, na sua impotência pessoal perante si próprio. Nestes casos, o máximo que ele pode fazer é proporcionar-lhe relaxamento para que profissionais que conheçam efetivamente o seu problema possam ajudar-lhe nas possíveis soluções.

 

A TAREFA EXISTENCIAL

 Os medicamentos são, portanto, sobre o ponto de vista das ciências psíquicas necessários às doenças quando competentemente diagnosticadas. Não servem aos sentimentos existenciais, esses precisam ser resolvidos à luz da pessoa e não de sua “suposta” doença.

Angustias existenciais não são psicologicamente elaboradas através de imipramina, clomipramina, nortriptilina, fluoxetina, amitriptilina, lorazepan, bromazepan, buspirona etc.

O mundo por todos os seus problemas políticos, econômicos, sociais, morais, com certeza conferirão às ciências mentais neste milênio a sua importância até hoje pouco atribuída.

Será sem dúvida a ciência deste século. A pesquisa genética, o desenvolvimento tecnológico e as descobertas importantes trarão uma nova dimensão ao psiquismo humano, mas jamais retirarão a propriedade do ser humano de saber que “ele existe” e daí, os seus problemas relativos à tarefa existencial.

COMO CONQUISTAR UM “AMIGO DA ONÇA”

Dr. Roberto C. Fosco

 

Uma das facetas instintivas mais pronunciadas dos seres humanos são constituídas pelas tendências que nós temos, ora mais, ora menos acentuada, de falarmos sobre nossa própria pessoa, valorizando excessivamente nossas presuntivas qualidades, ao mesmo passo que silenciamos sobre nossos senões e defeitos.

Esse amor profundo que temos por nós mesmos, em tese é útil desde que aliado à inquietação humana normal. Representa uma alavanca poderosa que nos soergue até alcançarmos posição mais estável na vida. Esse soerguimento que às vezes é feito em meio à verdadeira competição de valores, tem como resultante o progresso de todos.

Essa tendência marcante de ressaltarmos nossos próprios méritos tem, incontestavelmente, raízes muito antigas, ancestrais. Certamente com o primeiro grunhido semi-humano que teria emitido o homem de Heidelberg isso, a mais de cem anos, ao mesmo tempo em que martelava, triunfalmente, com os grossos punhos, o peito cabeludo, querendo exclamar aos ventos: EU!  EU!  EU!

 

 REUNINDO BAJULADORES E OPORTUNISTAS

Há pessoas, contudo, que não conseguem resistir, como manda o bom gosto e os mais comezinhos princípios de educação, às compulsões internas no sentido de vangloriarem, constantemente, haja ou não haja oportunidade para isso. Assim é que, a todo o momento, alardeiam seus dotes físicos, morais, intelectuais, suas riquezas, roupas, jóias, as viagens que fizeram pelas “Europas da vida” e assim por diante.Comumente, esses envaidecimentos deselegantes se estendem aos familiares e aos próprios filhos.

Tais pessoas podem, quando muito, serem toleradas, mas dificilmente conseguem, inspirar simpatia e construir em torno delas, atmosfera verdadeiramente amiga e agradável. Se forem ricas, influentes, poderão reunir em torno de si, indivíduos bajuladores e oportunistas que poderão tirar partido disso, fazendo coro, hipocritamente, com essa bazófia ou ufanismo.

AS pessoas egoístas, no seu narcisismo doentio, agem e falam como se todo mundo estivesse vivamente interessado nelas, nos seus problemas, e nos seus sucessos. Ledo engano. Não percebe, que o interesse dos demais pelos seus triunfos, dotes e ostentações, são relativos, enfadonhos e nulos.

 

DESPERTANDO SIMPATIA

Taí, alguma das razões pela qual você não deve, se quiser fazer boas amizades e criar em torno de si, um halo de simpatia, estar falando exaustivamente em assuntos que tenham por finalidade ressaltar seu próprio Eu.

Procure, sempre que possível ventilar em suas palestras, temas de ordem geral, do interesse de todos. Não queira somente falar, doutrinar; ouça com benevolência e atenção as opiniões de seus interlocutores, procurando valorizar, está claro que com dignidade, sem subserviência, este ou aquele conceito sensato, apropositado que seus amigos e conhecidos emitirem.

Tenha sempre presente que se assim proceder, terá fãs que em vez de invejarem seus triunfos, realmente os desejam. Isso, além de fazerem boas menções a seu respeito em suas ausências, o que não deixa de facilitar a sua vida e afastar futuros motivos de aborrecimentos.

O contrário acontecerá se você procurar a companhia de outras pessoas apenas como pretexto, embora disfarçado, para ter oportunidade de falar a respeito de seus méritos e sucessos. Nesse ultimo caso, você acabará conquistando uma legião de “amigos… da onça” pronto a gozarem seus tropeços e fracassos e, mesmo quando puderem, a concorrer para que isso aconteça.